Wednesday, April 18, 2012
Friday, March 30, 2012
Thursday, January 19, 2012
Tuesday, July 26, 2011
Wednesday, July 06, 2011
Tuesday, May 03, 2011
Sunday, March 06, 2011
Monday, February 28, 2011
(isto não são palavras)
Friday, February 25, 2011
Friday, February 18, 2011
Thursday, February 17, 2011
instruções para respirar sem ar
nota: se for um peixinho, substituir o ar por água.
(estranho, tenho as unhas desfalecidas...)
Monday, February 14, 2011
Sunday, February 13, 2011
Sunday, January 30, 2011
Monday, November 29, 2010
Wednesday, November 03, 2010
Monday, November 01, 2010
baseada em rebuçados verídicos
Eu e o meu irmão mais velho fomos a Barcelos, num passeio escolar. Andávamos ainda na primária e era como se fôssemos à lua. Na noite anterior à viagem não preguei olho. O meu irmão pregava olho sempre, mesmo debaixo do fogo do cobertor eléctrico ele mantinha o olho pregado.
A minha mãe preparou merenda para ambos e deu-nos algum dinheiro - imagino que pouco porque o dinheiro era sempre pouco e muito cerimonioso.
Do passeio lembro-me de um jardim que julgo ter sido o da merenda e de irmos de volta para a camioneta, em atabalhoada fila indiana.
Lembro-me também de poupar as moeditas para comprar um bonito e vistoso galo de Barcelos à minha mãe. Já o meu irmão gastou quase todo o dinheiro em rebuçados e guloseimas e risos e cambalhotas e achou que um galo minúsculo era um galo na mesma.
Levei o meu galo embrulhado em papel manteiga na primeira classe do colo, protegido na pessoa orgulhosa do seu sacrifício de amor.
Foi com esse exterior que o dei à minha mãe, sorrindo de orelha a orelha, com os olhos também. O meu irmão abriu a palma da mão e de lá saiu o seu imperceptível bocado de barro colorido - e creio que nesse momento pedi um abraço maior, um beijo mais apertado, mas tal como a merenda e o dinheiro igualmente repartidos, também os afectos foram de mãe, indiferenciados.
Os galos pousaram na janela da cozinha, lado a lado, e eu comia a fruta ou a demora da sopa a olhar para a desproporção daquelas figuras e acreditava que o meu era mais bonito e que até o silêncio de uma mãe concordaria comigo.
Um dia - lembro-me tão bem do som - os galos cairam da janela, subitamente aberta por uma corrente de ar. Uma corrente de ar, é o que basta para acabar com o amor que traz um galo de Barcelos. Aos pedaços coloridos no chão. Só um deles estava inteiro - e um pedaço inteiro despedaçou-me o coração. Era o pedaço-galo do meu irmão que naquela janela posou durante muitos anos e calculo que ainda hoje, onde quer que se tenha perdido, esteja inteiro, tosco, um olho abaixo e outro acima, preto às pintas, sujo ou enterrado. Inteiro.
Da minha mãe, uns pêsames de mão nos cabelos, o beijo de consolação no sal de uma cara deformada. E depois seguiu talvez pensando que, como tudo, também isto eu esqueceria e, parecendo que sim, não, continuo a querer dar belos galos que, invariavelmente, se vão.
conta-me uma história.
Monday, August 23, 2010
entes aquáticos
Tuesday, August 10, 2010
água mineral carbonizada
Deixando os fogos irrespiráveis para trás, apareces-me tu à frente assim, como dizia, e incendeias-me com essa atitude inflamável na sucessão dir-se-ia que aleatória de mais de cinco palavras, mais de três frases, muito mais até parece que me sentias a falta e eu desisto logo.
Abro o tasco por isso senta-te e pede.
Monday, December 21, 2009
Saturday, September 05, 2009
Wednesday, June 17, 2009
recapitulando sobre as barrigas
Mas não permite dele vestígios no meio da horta de sua mulher que casa sua comporta.
Senta o seu suor a jornal e a sexo extra-conjugal no sofá, deita-o na cama, janta o suflé de quem faz de conta que ama.
(da mulher tudo se sabe. está tudo à vista nas revistas. o homem fecha os olhos e vê umbigos, sortidos, coloridos e da mulher só sabe o que tudo se sabe, se contou se disse se via ainda que montanha alguma parira.
A mulher agradece e padece e obedece. Mas ela mesma fugiu desde a primeira vez que o viu.)
Saturday, June 13, 2009
Friday, June 12, 2009
estuário
- retocou a cara com blush e um espelho -
e voltou a adormecer achando-se viva.
Monday, June 01, 2009
um fundo negro do ponto num colchão
antes que comece a utilizar o vosso estimado colchão para cenas de pugilato frustado (sim, tem tudo a ver com o último episódio da arena portuguesa mais execrável do nosso país, que é qualquer pseudo-noticiário, que nem pseudo é, que ponha uma besta a tentar fazer-se passar por jornalista e a fazer passar o jornalismo (se é que tal coisa existe!) por ela própria, logo a negá-lo aos demais que o entendem escrupulosamente (se é que tais seres existem!) e a chamar estúpidos aos estúpidos que ainda ligam o canal a pensar que mudaram de telenovela (sem ofensa) para telejornal e que a deviam processar por danos intelectuais, mas que perderiam porque está provado e é do conhecimento público que na tvi só há telenovelas (sem ofensa) e freak shows e toda a política populista agarrada ora a uma ora a outra e porra, ou eu me engano muito ou ela só desfez o que pretendia fazer e isso sim, deu-me goooooozo! - a continuar assim, o sócrates ainda leva com uma maioria absoluta e, primeiro, esse é o lado amargo do gozo e, segundo, eu engano-me muitas e tantas vezes. badamerda para o fmi e badamerda para a mmg que nem é nada relativamente a tudo o que simboliza e que me atormenta ainda e era ver-me a ver "a coisa" vulgo "entrevista" com uma atitude que nem no futebol contra o benfica ou contra o manchester ou contra o milan (ou a itália em geral) ou contra o scolari me apanharam alguma vez, tanto que até eu estranhei quando comecei a transpirar e a sentir que algumas batidas cardíacas começavam a falhar o ritmo das outras ...ou vice-versa, que nestas coisas de desritmo cardíaco nunca percebi bem os critérios que levam a apontar umas em detrimento de outras).
e, posto isto, e antes que em vez do signo colchão veja o símbolo mmg, perguntava-te se amanhã poderia levá-lo, lá p'rás horas de depois da janta, antes de irmos todos tomar uma cervejinha gelada, para arrefecer ânimos e voltar a amansar, que é como somos os mais lindos de todos.
pode?
Friday, May 29, 2009
Sunday, May 17, 2009
Wednesday, May 13, 2009
Tuesday, April 21, 2009
Wednesday, April 15, 2009
pocket hole 5
leve neve lava a luva leva
a leve neve lava a luva
leva a leve neve lava a
luva leva a leve neve lava
a luva leva a leve neve
lava a luva leva a leve
pocket hole 4
nu é o contrário de tapado.
nu é o contrário de protegido.
nu é o contrário de coberto.
nu é o contrário de forrado.
n é o contrário de u.
pocket hole 3
pocket hole 2
nu vem do céu vestir a terra pondo a nuvem o manto nela,
nu da nuvem cobrindo ele o chão da terra.
Friday, April 10, 2009
a adília também quer saber quem raio és tu
um copo de cerveja, mas ainda sem cerveja;
uma garrafa de cerveja, 33 cl, cheia;
frio;
um prato de amendoins torrados e intactos;
sol às vezes;
uma taça cor-de-laranja-ora-pálido-ora-fogoso de plástico vazia;
um prato com duas divisões: design especial para os tremoços inteiros e o que restará deles no final;
nuvens que dão à mesa diferenças no tom pardo que sempre tem;
o mar ao fundo e a razão que paira no ar sem definitivamente pousar.
os meus olhos, quando fitam os teus que olham os meus com pressa, são olhos de cão. mas são os teus que fogem. na escrita é diferente: os meus inventam os teus e os teus, implacáveis, entram-me até às coisas que mexem por dentro e eu só posso desviá-los para continuar a inventar as horas:
de encontro;
de chegada;
de espera;
de espera mais um bocadinho;
de saída;
de desencontro.
oh desculpa.
não faz mal, pelo menos não apareceste.
amanhã, o que fazes?
amanhã tenho uma razão a que não sei dar destino. por acaso não tens lá um canto onde ma guardar? é só o tempo que puderes, prometo!
Wednesday, April 08, 2009
não se é artista quando se gosta de futebol e isso é um alívio
Era criança e escrevia à minha mãe e escrevia ao meu pai.
À minha mãe escrevia nos anos e no dia da mãe. Mas nunca o que me mandavam escrever. Escrevia quando lhe roubavam o envelope do dinheiro e deixavam a carteira intacta, ainda que esta tivesse uma nota a sair como isca para que os ladrões não levassem o envelope do dinheiro a sério numa loja com saldos na rua de Santa Catarina antes de ir comprar os cortinados para os quais tinha poupado não sei quanto tempo, só sei que a poupança se guardava em envelopes brancos e suspeitos. Escrevia para que ela não chorasse porque as mães não devem chorar, toda a gente sabe e, desta vez, toda a gente sabe mesmo porque toda a gente teve, em algum momento, uma mãe.
Escrevia ao meu pai quando o meu pai fazia anos e escrevia no dia do pai, mas nunca escrevi o que me era mandado escrever. Ao meu pai escrevia também em bilhetinhos que deixava em cima do aparador de pau-preto que veio no navio de Angola e que ficava à saída do quarto deles, aos quais ele me respondia prontamente num outro bilhetinho em cima do mesmo aparador que ainda existe, ainda no outro o dia o vi, imóvel como sempre dada a excelente qualidade da madeira, e tudo isto para dizermos um ao outro o quanto nos amávamos às escondidas, porque aparentemente dávamo-nos como o azeite e a água se dão.
Uma vez escrevi assim num papel que decorei porque, ao que parece, gostei muito e achava que fazia mesmo sentido (e, desculpa, vou-me rir antes um bocadinho, pode ser?):
Já está.
Não, agora é que já está.
voo voo.
por muita altura que atinja
jamais poderei sentir o enjoo
e ai de mim que finja
nestas asas não caber.
sinto a brisa quente
mas seria-lhe incapaz de morrer.
porque é tão vago, tão mancha
o momento de a não sentir.
Pffffff! Santa paciência!
Esta inaugura uma data de folhas que espero se tenham perdido no meio de tudo o que guarda o meu pai e se lembra a minha mãe.
Nunca fui muito boa a escrever porque até a mim me aborrece ler o que escrevo.
Pior só os formulários que preencho.
Tuesday, April 07, 2009
olha, não estou grávida mas às vezes dá-me vómitos
o noivado é como o purgatório
Já lá vão alguns meses e ele cada vez menos resistente à paragem de todas as coisas, como sabíamos que teria de ser. Mas foi o motivo que o originou que agora muda. Primeiro teve o motivo que sabes. Depois o motivo tinha vontade de esperar. Depois esperou. Chegou o tempo de se perder na identidade e já não era coisa alguma com propósito. Ainda tentei o trespasse, mas a crise. Agora começo a pensar se seria mal pensado um ressurgimento do blog. Em que circunstâncias? Sabes que não sou capaz de te abandonar. Mas sou bem capaz de te fazer acompanhar de um copo de vinho, seja ele bebível ou só inebriante.
Então fazemos assim.
Eu continuo o que houver, sem compromissos, porque isso é condição genética do blog - e foi isso mesmo aliás que invalidou algumas propostas de trespasse das quais só teria a ganhar. Continuo o que houver, mas as missivas terão os destinatários que me aprouver no momento. Sabes que sou movida a paixões, que são mutáveis e ainda bem. Enquanto as anteriores se sedimentam numa espécie de amor ou, pelo contrário, se evaporam em direcção a uma desmemória, as presentes estão à mercê do vento que as estuda lenta e corrosivamente. E eu quero isso ainda.
Então mudará tudo porque já não terei respostas tuas. Ou sim, se notares que ainda são para ti.
Monday, April 06, 2009
mas parece-me que estando eu a dormir ela continua acordada.
dormir com a adília significa acordar com ela, também.
e é assim que acordo com uma voz que me diz naquele tom jocoso.
a minha voz reagrupa continuamente pedaços inteiros.
a dela desarruma.
e é deixar-me desarrumar que eu quero como prenda de aniversário.
por isso resolvi que vou para um quarto de hotel. se alguém me pagar a estadia.
achado sem data numa data com dia

(desenho do lucas, 2 anos, no tux paint)
há pais que.
há mães também que em risos.
e até que.
descubram o escuro debaixo.
em baixo.
quantas mais crianças se.
quando de repente
envelhecerem os pais que
as mães que também em risos.
e as crianças se.
esquecerem de si no escuro
por baixo.
apavorando pais e mães
finalmente tarde demais.
Wednesday, January 07, 2009
Thursday, November 27, 2008
Tuesday, November 25, 2008
Tuesday, November 18, 2008
Monday, July 21, 2008
amplitude
e entretanto passou o som de uma famel pela minha rua e obrigou-me a contorcer de forma a poder ver a linha do horizonte que vivia na pequena janela do quarto de Quintela e que era ao contrário de todas as outras e tinha a particularidade de se curvar.
por isso é que o mundo é redondo, voltei a pensar.
dir-te-ia que te amava
e entretanto adormeci porque fechei muito tempo os olhos e deixei que fugisse por dentro, como disseste.
não poderei dizer o que fugi, porque me vejo ainda aqui, mas sei que não encontro o caminho de volta e sei que o terei de fazer para chegar onde ele melhor se afasta.
quando acordei, de noite
( para vivê-la com quem a vive )
soube que tinhas razão e, por isso, vim cá pedir-te que acendas o resto da luz.
Wednesday, July 16, 2008
Sunday, July 06, 2008
a queda
Quando este grito interno grita internamente.
Quando esta vontade nascente desagua dentro.
Quando estas nuvens de chumbo apenas se adensam e não há chão onde cair estilhaçar desfazer-se em nadas pequenos que se colam às solas dos sapatos dos outros, no pêlo de um cão, no chão mais escuro de um buraco e se esquecem de onde partiram para onde vão.
Quando as palavras saem.
E não dizem o que dizem. E não mostram o que mostram. E se prendem umas às outras pelos largos espaços que as afastam. Tanto que se esgotam em todas as combinações possíveis. E está tudo lá ausente.
Quando sussurro – sem mãos para não dizer duas vezes, que em duas vezes já se dizem espaços pequenos entre o que se diz –
só para brevemente sair.
Monday, May 12, 2008
amanhacer
Mmmmm mm mmm mmmmmmmm-mmm
Mmmmm mm mm mmmmmmmm-mmm
Mmmmm mmm mmm mmmmm m-m-mmmmm
Mmmmm mm mmm mmmmmmmm-mmm
Mmmmm mm mm mmmmmmmm-mmm
Mmmmm mmm mmm mmmmm m-m-mmmmm
(passos poucos, aveludados, entre cá e um pouco lá
respiração breve, ausente somente presente em gestos que se estendem entre a porcelana e o tampo de cedro
e o cheiro da idade do cedro inteiro)
Mmmmmm mmm mmm-m-mmmm
Mmm...
(silêncio contido no olhar horizontal – o gesto fá-lo por fim oblíquo e
a pequena luz que se empoleira se tenta
se esquiva se retrai
se era)
(o cedro no tampo tem a idade daquela canção que tem idade incógnita que se saiba)
(descem os passos e permanecem para sempre iguais os objectos em porcelana partida colada perdidas partes concretas num vazio de oco no entanto escuro de adivinha
calada sobe o rosto em fragmentos se compõe sacudida da idade
só do espaço vertido na mais calma pulsação antecipa a demora
apressa a espera de todos os anos da sua voz, desde que foi voz
ainda som
sem palavras)
(e tudo isto
urdindo deva
gar
ante os espaços negros das porcelanas respeitados como é a noite depois do dia depois da noite e das estações em roda
do entendimento de todas as coisas
menos as coisas todas
aceites assim, desconhecidas não ignoradas)
Mmmmmmmmm mmm mm m-mmmm
Mmmmmm-mm mmmmmmmmmmmmm
(um sapato enterra-se melhor calçado e estes sapatos tenho de os caminhar mais esta vez – pensou)
(daí o som da pele do cetim e depois o soalho rangeu pela última vez naqueles ouvidos recheados de melodias hereditárias)
(tinha filhos que choraram tinha tempo que viveu e findo este)
morreu
Monday, March 10, 2008
Saturday, February 02, 2008
para os barbies e zeppetellas da minha vida
encontra uma pessoa o amor e acha-se logo apoderado da unilateralidade do apartamento para o resto.
isto é medonho.
sentir uma pessoa um amigo em quem não encontrou o amor e sentir-se bem com isso, apenas por medo puro ciúme de o perder para o outro que nem sequer bateu à porta.
isto é frustante.
lançar uma pessoa a sua líbido e simpatia grudante durante tanto tempo e depois ser descartada sem um aviso, um postal ou lembrete de vez em quando.
isto é ultrajante.
ter uma pessoa que vir humilhar-se na praça pública por não saber mais por onde há-de lançar apelos a reconsiderações.
isto é triste.
acabar a semana e não ter uma pessoa um convite para o final dela em festas e copos e conversas vertidas.
isto é desumano.
uma pessoa ter um cão que a trata bem melhor que isto.
Monday, December 17, 2007
Tuesday, December 04, 2007
Wednesday, August 29, 2007
Wednesday, July 11, 2007
eu gosto de te extrair e viver o que sei por essas histórias tuas e de ir mais além e dar-te o excesso e ver-te gozá-lo quando olho para dentro de ti e me extraio excessiva e expiro e inspiras.
gosto de saber que estás por detrás daquilo que faço e daquilo que ainda não fiz e ainda do que nunca farei e redundar profunda nos erros.
gosto da tua perfeição desorganizada. da rigidez do teu caos.
Monday, February 26, 2007
sujeito indefinido
Em toda a minha vida. Aquela que não sendo só minha é minha por definição. Não encontrei ninguém que fosse às riscas. Apenas tu. Entrando no edifício. O tal onde fica o canto que te arrasta do outro. O grande minúsculo canto. Vejo-te ao fundo e chego-me sem te tocar e cheiras a opaco de cor. Vou escorregando no som da alcatifa. E é só isso que me vês. O som da alcatifa. Portanto és cor. Digamos. Cor que resulta de todas as outras cores sem seres negra. (Porque negra sabes ao frio do mar. E pelo mar não se aventura qualquer um.) Mas se vou escondida através de trás de tudo e tocas-me sem me chegar. Tocas-me de vermelho. Pode ser. És tu quem vem e me toca e até se transparecem as cores de forma que és às riscas nos outros momentos todos. Quando sei que existes às riscas. Transparente às riscas. De que cor. As riscas?
Transparentes.
Às riscas.
rumo sem passeio
é um caso sério, encontrar o que sinto.
Thursday, February 22, 2007
Saturday, November 25, 2006
amores folhados, o blog
o teu blog dependerá de corações tolhidos por acidentes calculáveis, mas também de quem não calcule que os tenha, aos corações tolhidos -- e quem não tenha que atire, nesse teu lugar, o primeiro foguete festivo. acho. o lugar não é meu. eu apenas o invejo porque não tenho onde guardar o meu amor que se tolhe quando não o encontro e, no entanto, sei que o tinha ainda agora, à minha beira, aqui comigo ao pé de mim.
Wednesday, November 22, 2006
Sunday, November 19, 2006
para a loba dulce epopeia
agora desafia quem passa: a dona loba não ama quem caça.
Thursday, November 16, 2006
q.b. (numa tradução livre)
ando à voltas sobre mim e o tempo não escorre. é sempre um segundo antes do próximo e não passa dele mesmo. se ao menos um botão se soltasse, um cordão se desamarrasse eu me dobraria em cócoras sobre eles sem, a seguir, me poder levantar e a seguir? outro cordão? uma formiga que pudesse ser exterminada, talvez. o chão que irrompe numa fenda e finalmente haverá caminho para a china a partir deste lugar. e pensar sobre isso seriamente e certificar observando minuciosamente o chão e a sua fenda mínima, se a fenda não é um princípio do fim, um terramoto embrião porque se fosse a valer os segundos escorreriam debalde mas escorreriam, chegariam à sua foz como chega o rio de são pedro de moel no FMI do zé mário que alivia mesmo mesmo. mesmo se por uns ávidos e míseros segundos adiante do anterior que não passa e eu não posso, talvez deixar-me ir tragicamente e ser a luz para todos estes olhares como foi o meu sorriso largo na 1ª comunhão, para desviar as futuras atenções do meu irmão fotografado, amarelo e descaído, sumido por dentro do sorriso que lhe emprestei, largo para que coubesse e que jamais nele coube a definição de heroísmo e nem sequer para que dissessem olhem que rico sorriso é pura alegria, transcendental, divino, não há dúvida de que foi tocada a menina é dotada de tragédia venha o sacrifício seguinte e a vir não seria nada mais do que não comer o bolo da comunhão que saiu pequeno e as bocas em aleluia pecavam por excesso mas, pelo menos, serviu o seu invisível propósito altruísta que ainda hoje se guarda em silêncio. o meu irmão safou-se de ser a luz patética, fui eu por ele agora trago-a sempre comigo para safar imagens puras de pessoas que a têm inteira. o meu irmão da primeira comunhão descaiu-se, amarelou-se, mas libertou-se da dor aguda que sou eu inteira e todo ele é luz que ilumina sem mácula e toda a gente diz que rico rapaz baixando os ombros, diagonando o olhar e cruzando as mãos em admiração e eu presa aos segundos por trás da porta fechada, talvez tenha morrido quem a fechou e esse trágico acontecimento se torne a luz e não eu daqui a instantes se os segundos passarem para a frente em avalanche sem que a porta com o defunto se abra e eu retida entre a porta fechada e os segundos congelad s.s.. s...
um sorriso veio da porta, vivo não morto, lentamente veio vindo da porta, sorrindo, penteando a madeixa que se misturara com as faces rosadas. lentamente rindo vindo sem sair da porta aberta. eu sem me mexer mexi-me com os passos hirtos da porta e o sorriso loiro, rosado, belo estremeceu recuou, caiu deixando rastos de cabelo flutuando no ar, lentamente pousando no chão com os restos do sorriso, iluminado estendido desfeito no mesmo lugar onde eu nos segundos parados atrás me retive e contive, até que resolveram avançar e obrigar-me a aliviar, ali mesmo, a bexiga.
Monday, November 06, 2006
berenice

berenice contrafeita seguiu ao lado dos seus braços desfeita, nenhum valor maior ditara sua desventura, fora amada apenas na lonjura, quando a dobrara a curva, prestes a entregar bravura fora sem piedade vítima da sua própria travessura. eunice dizia eu, era longa, e seu peito de grande alvura, tropeçava em seus curtos passos e fitava longe semicerrando os olhos, porque a consumia uma negrura, palpitante atravessara o paço e fundira-se à ideia de desfalecer em seu regaço, mas o príncipe poupava-se a embaraços, amores confessos queria-os escassos. alice baixou os olhos, estremeceu, de seus braços não sobrava nada seu, o cabelo pendia-lhe sem brilho pela face, tossia para não ouvir o grito do seu coração em mil pedaços. soubera ontem o que hoje lhe levava a paz, e teria serenado quando todo o mar por si reclamara, se o tivesse apenas pressentido. porque não possuir o seu amor é veneno do mais temido. alicia fez caminho do lado oposto do rio, ainda procurou seu rosto ao longo do navio, mas sobrava apenas mágoa de tão débil desafio, fora vã toda a lágrima, todo o sorriso sem trilho. no ventre formava-se turva da dor ida, ira ficava, pobre razão matava. patrícia vingou simpatia, amoleceu coração em toda a travessia, olhava altiva para qualquer criatura e depois de a fazer amar em agonia, desferia o golpe e sorria com mestria. fenícia partiu, não tornou ao cais, não olhou qualquer navio, quando seu cheiro se turvava, cobria o rosto longo com um véu e não respirava. nenhum mal de amor tornaria a atormentá-la, amor mal em si ficara. distraída todo o instante lhe dedicara, a travessia era deserta, e qualquer dinastia incerta.