Monday, May 12, 2008

amanhacer

Mmmmm mm mmm mmmmmmmm-mmm

Mmmmm mm mm mmmmmmmm-mmm

Mmmmm mmm mmm mmmmm m-m-mmmmm


Mmmmm mm mmm mmmmmmmm-mmm

Mmmmm mm mm mmmmmmmm-mmm

Mmmmm mmm mmm mmmmm m-m-mmmmm


(passos poucos, aveludados, entre cá e um pouco lá

respiração breve, ausente somente presente em gestos que se estendem entre a porcelana e o tampo de cedro

e o cheiro da idade do cedro inteiro)


Mmmmmm mmm mmm-m-mmmm

Mmm...


(silêncio contido no olhar horizontal – o gesto fá-lo por fim oblíquo e

a pequena luz que se empoleira se tenta

se esquiva se retrai

se era)


(o cedro no tampo tem a idade daquela canção que tem idade incógnita que se saiba)


(descem os passos e permanecem para sempre iguais os objectos em porcelana partida colada perdidas partes concretas num vazio de oco no entanto escuro de adivinha

calada sobe o rosto em fragmentos se compõe sacudida da idade

só do espaço vertido na mais calma pulsação antecipa a demora

apressa a espera de todos os anos da sua voz, desde que foi voz

ainda som

sem palavras)


(e tudo isto

urdindo deva

gar

ante os espaços negros das porcelanas respeitados como é a noite depois do dia depois da noite e das estações em roda

do entendimento de todas as coisas

menos as coisas todas

aceites assim, desconhecidas não ignoradas)


Mmmmmmmmm mmm mm m-mmmm

Mmmmmm-mm mmmmmmmmmmmmm


(um sapato enterra-se melhor calçado e estes sapatos tenho de os caminhar mais esta vez – pensou)


(daí o som da pele do cetim e depois o soalho rangeu pela última vez naqueles ouvidos recheados de melodias hereditárias)


(tinha filhos que choraram tinha tempo que viveu e findo este)

morreu

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