amanhacer
Mmmmm mm mmm mmmmmmmm-mmm
Mmmmm mm mm mmmmmmmm-mmm
Mmmmm mmm mmm mmmmm m-m-mmmmm
Mmmmm mm mmm mmmmmmmm-mmm
Mmmmm mm mm mmmmmmmm-mmm
Mmmmm mmm mmm mmmmm m-m-mmmmm
(passos poucos, aveludados, entre cá e um pouco lá
respiração breve, ausente somente presente em gestos que se estendem entre a porcelana e o tampo de cedro
e o cheiro da idade do cedro inteiro)
Mmmmmm mmm mmm-m-mmmm
Mmm...
(silêncio contido no olhar horizontal – o gesto fá-lo por fim oblíquo e
a pequena luz que se empoleira se tenta
se esquiva se retrai
se era)
(o cedro no tampo tem a idade daquela canção que tem idade incógnita que se saiba)
(descem os passos e permanecem para sempre iguais os objectos em porcelana partida colada perdidas partes concretas num vazio de oco no entanto escuro de adivinha
calada sobe o rosto em fragmentos se compõe sacudida da idade
só do espaço vertido na mais calma pulsação antecipa a demora
apressa a espera de todos os anos da sua voz, desde que foi voz
ainda som
sem palavras)
(e tudo isto
urdindo deva
gar
ante os espaços negros das porcelanas respeitados como é a noite depois do dia depois da noite e das estações em roda
do entendimento de todas as coisas
menos as coisas todas
aceites assim, desconhecidas não ignoradas)
Mmmmmmmmm mmm mm m-mmmm
Mmmmmm-mm mmmmmmmmmmmmm
(um sapato enterra-se melhor calçado e estes sapatos tenho de os caminhar mais esta vez – pensou)
(daí o som da pele do cetim e depois o soalho rangeu pela última vez naqueles ouvidos recheados de melodias hereditárias)
(tinha filhos que choraram tinha tempo que viveu e findo este)
morreu